
A última segunda-feira pareceu um suspiro de alívio nos mercados. O otimismo com o fim da guerra no Oriente Médio tomou as rédeas, fez a cotação do petróleo recuar 10% em um único dia e levou o Ibovespa B3 ao maior avanço desde janeiro. Mas, ao longo dos dias, esse otimismo foi se dissipando. O Irã negou avanços concretos nas negociações, enquanto os ataques continuaram (e até se intensificaram).
Apesar dos acenos do presidente americano Donald Trump em direção ao diálogo e à busca por um acordo de cessar-fogo, o conflito continua ganhando escala no Oriente Médio. Israel continua com ataques amplos a localidades estratégicas do Irã. Enquanto isso, o governo de Teerã impediu a passagem de duas embarcações chinesas no Estreito de Ormuz – num movimento pouco usual, já que o governo persa vinha, até o momento, bloqueando apenas os navios de países apoiadores de Israel e dos EUA.
Nesse contexto, mesmo a decisão de Trump de pausar por mais 10 dias possíveis ataques ao setor de energia iraniano não convenceu. O mercado passou a ler o movimento mais como uma pausa tática do que como um sinal claro de desescalada. Resultado: o clima virou.
Sem uma resolução do conflito no radar, as cotações do petróleo reagem. Depois de o brent, referência internacional para o preço da commodity, operar abaixo de US$ 100 o barril no início da semana, as cotações já voltaram a superar os US$ 110 o barril. Um mês atrás, antes do início do conflito, o preço da commodity girava em torno de US$ 70.
No exterior, as bolsas americanas registram forte queda. O S&P 500, índice que reúne as maiores empresas listadas nos EUA, caminha para encerrar março com a maior baixa desde 2022, alerta o WSJ.
Apesar dos altos e baixos, o Ibovespa B3 acumula na semana uma alta de pouco mais de 1%. Vale lembrar que, apesar da aversão a risco prejudicar os ativos de risco, a alta do petróleo impulsiona as ações da Petrobras. Como as ações da empresa têm peso relevante no índice que é referência no mercado brasileiro, acaba servindo como contrapeso. Só nos últimos 5 dias, PETR4 acumula alta de mais de 10%. No mês, a valorização supera 25%.